ELE FAZ 35 ANOS .. INSIGHT!
- bastidoresdasradios

- 22 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Tudo aconteceu em 17/05/1985, uma sexta-feira. Eu trabalhava na Rádio Cidade FM, como diretor artístico da filial de São Paulo. Voltando do almoço, fui escovar os dentes e, no banheiro, havia dois colegas: um fazendo o nº 1 e outro, o nº 2.
Ao perceber a nossa presença, o que estava na “cabine” começou a conversar com a gente com um som diferente da voz humana. Ele prendia o ar na boca e pronunciava palavras ao soltá-lo, pressionando a bochecha. Para facilitar o entendimento, era algo parecido com a voz do famoso Pato Donald. Sem saber quem era o autor da proeza, comentei que poderíamos lançar um personagem na Rádio, ao que o colega que estava lavando as mãos comentou: “Que fofo!”. Não precisei de um segundo para responder: “mais do que fofo, é fofinho!”.

Assim eram feitos os sorteios na Rádio Cidade. Milhares de cartas eram armazenadas e, quando os garotos do Menudo chegavam, eu jogava um punhado delas para o alto e cada um deles pegava uma que iria receber convites para ver o show em local privilegiado. Estava criado o personagem que daria à Rádio Cidade um toque de amor e carinho para com os ouvintes. Quando descobrimos quem era o dono da voz, reunimos na minha sala e ficou definido que ele gravaria alguns ruídos para que pudéssemos usar durante o dia e, na volta do trabalho externo, no horário do tradicional “Sucesso da Cidade” (18h), ele participaria ao vivo com o locutor.
Simulamos o encontro de um buraco no rodapé do estúdio, pelo qual teria entrado o nosso esquilo que, a partir daquele momento, seria chamado de Fofinho. O resultado foi melhor do que o esperado. Quando o assunto desperta o interesse e a atenção do pessoal que trabalha na emissora, já é meio caminho andado.
A curiosidade era imensa e mantivemos o segredo, mesmo internamente, por um bom tempo. Como nunca fui “comerciante”, não tinha a visão de poder ganhar dinheiro com as minhas criações, haja vista que a seção “Melhor de Três” foi criada por mim, na Rádio Difusora AM (1978), e copiada no Brasil inteiro com esse e outros nomes-fantasia e nunca me rendeu um centavo sequer!

José Carlos Coelho, o "dono da voz", participa de uma entrevista com os integrantes do grupo Menudo, fazendo a voz do Fofinho. Eles também viraram fãs do esquilo-mascote da Rádio Cidade
Mas, dessa vez, tentamos lançar comercialmente o tal esquilo em pelúcia, para vender e distribuir aos ouvintes. Qual não foi a minha decepção ao saber que todos os nomes da Família Fofão estavam registrados pelo seu criador. Assim mesmo, foi feito um protótipo do bichinho e comecei a brincar com ele no interior da Rádio.
A surpresa maior estava por vir: iríamos receber a visita dos integrantes do grupo Menudo para uma turnê nacional e eles iriam gravar falas e dar entrevista. Assim que os recebemos, veio a pergunta: “Onde está o Fofinho? Quero conhecê-lo!” Para não perder o encanto, é evidente que não poderíamos revelar o nosso segredo publicamente, mas, a eles não poderíamos omitir a verdade e eles gostaram tanto que passaram a interagir com o nosso mascote.

Luiz Fernando Magliocca entrevista Charlie, enquanto ele brincava com o Fofinho, em pelúcia.
Nas fotos, você pode ver o Charlie sendo entrevistado por mim e manipulando o Fofinho e um momento raro em que José Carlos Coelho, assistente do Depto. Comercial e “dono da voz”, grava com os garotos do Menudo, na minha sala. Lembranças muito gostosas que calam fundo e marcam uma vida de grandes e boas realizações, graças a Deus.





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