Com quantas vozes se constrói uma história que durou exatamente 68 anos e um mês?
- bastidoresdasradios

- 1 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Neste domingo, 31 de maio de 2020, chega ao fim um ciclo que começou no dia 1°de maio de 1952, quando foi inaugurada a PRG-9 - Rádio Nacional de São Paulo, transmitindo diretamente da capital paulista em 1.100 kilociclos.

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Fundada por Victor Costa, homem de rádio que começou como contra-regra e chegou a diretor-geral da Rádio Nacional do Rio, a Nacional paulistana tinha apenas o nome e a inspiração da maior emissora da América Latina até a década de 1950: programas de auditório, musicais, humorísticos, de calouros, de esportes.
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No final de 1964, a Nacional de São Paulo foi vendida por Victor Costa, juntamente com a Rádio Excelsior e a TV Paulista, para o jornalista Roberto Marinho. Com isso, as Organizações Globo desembarcavam em São Paulo.
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Em pouco tempo, a Rádio Nacional de São Paulo se tornou líder na capital paulista, com o tripé que consagrou a Rádio Globo do Rio e influenciou centenas de outras emissoras pelo país: música, esporte e notícia.
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Em 1977, por exigência do Governo Federal, a Rádio Nacional, então com 25 anos de existência, foi obrigada a trocar de nome. Começava, então, a história da Rádio Globo de São Paulo.
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Não houve uma data definitiva de mudança. Por alguns meses, para acostumar o ouvinte, a emissora manteve nome antigo junto do novo: primeiro, Nacional-Globo; depois, Globo-Nacional. O grande marco dessa mudança foi a contratação de Osmar Santos, locutor que revolucionou o rádio esportivo de São Paulo, trazido a peso de ouro da Rádio Jovem Pan.
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Com o esporte e uma programação popular como carros-chefe, a Rádio Globo foi líder absoluta de audiência durante 40 anos, entre 1977 e 2017, graças a nomes que marcaram época no rádio paulistano: Eli Corrêa, Paulo Lopes, Paulo Barboza, Roberto Losan, Gilberto Barros, Ênio Barbosa, João Ferreira, Miguel Dias, Gil Gomes, Afanásio Jasadji, Oscar Ulisses, Oswaldo Maciel, Luis Roberto, Fausto Silva, Juarez Soares e centenas de outros.
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Por ter trabalhado na Rádio Globo do Rio entre 2007 e 2019, minha voz teve o privilégio de ser transmitida pelos 1100 AM, apresentando o tradicional O Globo no Ar, ou na condução de programas em rede, em reportagens.
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E, mais do que ter falado nesse microfone, a minha lembrança é mais especial por ter sido ouvinte. Lembro-me como se fosse ontem, de ter ouvido na madrugada de 22 de dezembro de 1994, no programa de Samuel Gonçalves, a notícia do acidente que nos tirou a oportunidade de ouvir as narrações do "pai da matéria" Osmar Santos. No mesmo radinho, no mesmo prefixo, ouvi e testemunhei na Vila Belmiro o gol de placa de Marcelinho Carioca sobre o Santos, na voz de Luís Roberto.
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Os 1100 AM foram silenciados em fevereiro de 2020, mas ainda assim a Rádio Globo continuou no ar, morando de aluguel no canal 94,1 FM por três meses. E neste dia 31 de maio a Rádio Globo em São Paulo sai do ar para entrar para a história.
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Sabemos que os tempos mudaram. E são vários os motivos para que a Rádio Globo tenha encerrado suas operações na capital paulista. Mas não deixa de ser melancólico saber que um patrimônio da comunicação deixa de existir.
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Só quem ama o rádio, vive o rádio, valoriza a história do rádio e sabe qual é o papel do rádio na vida de quem ouve é capaz de entender.

Bastidores das Rádios

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